quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

The Kids Are All Right (2010)

Em tempos de discussão sobre os direitos dos homossexuais e de algumas vergonhosas demonstrações de violência e incompreensão, nada poderia ser mais bem vindo do que um filme como este. Um filme que não discute a discriminação e o preconceito e, na verdade, nem leva isso em consideração. The kids are all right (com o distante título Minhas mães e meu pai no Brasil) é uma bela produção, que faz com que situações estranhas pareçam absolutamente naturais e verdadeiras.

O filme conta a história de uma família que, à primeira vista, parece perfeita. Nic (Annete Benning) é o "pai" autoritário, que trabalha para pagar as contas, procura tomar conta de todos e comanda os filhos e a esposa com mãos de ferro. Jules (Julianne Moore) é a esposa insegura, sensível e meio louca. Os filhos são tratados como a representação das duas mães na forma de pensar e agir. Joni (Mia Wasikowska) também é sensível e ligeiramente reprimida e funciona como um espelho de Jules (o nome das duas também é bastante sugestivo). Laser (Josh Hutcherson) é bastante prático e desligado, com uma personalidade próxima da de Nic. Ele não parece incomodado por ser o único homem da família. Na verdade, ele não parece incomodado com nada.

Tudo está bem, até que Laser decide procurar seu pai biológico (o mesmo também de Joni). Seu primeiro encontro é tão natural, tão embaraçado e interessante, que eu seguramente definiria como a melhor cena do filme. Paul (Mark Ruffalo), o pai bonachão e cheio de si, é simpático e estranhamente atraente para todos, exceto Nic, que sente que ele está roubando sua família (o que acaba sendo parcialmente verdadeiro).

O filme fala, principalmente, sobre conflitos familiares, que são descobertos conforme Paul se envolve cada vez mais em suas vidas. Isso e a capacidade do amor de superar problemas e obstáculos. A unidade familiar é retratada como muito mais importante que qualquer elemento externo. É quase impossível não gostar de Paul, um cara sinceramente simpático e que inocentemente se envolve com cada membro da família. Mas no final, somos obrigados a reconhecer que eles são muito mais importantes para Paul do que Paul para eles. Paul é apenas um divertimento, uma pequena aventura, que todos não hesitam em abandonar.

Com momentos engraçados e dramáticos, este filme pode soar extremamente água com açúcar às vezes, mas de uma forma muito natural. É uma indicação certa para o Oscar e está entre as produções mais encantadoras do ano. Proporciona um entretenimento muito bom e traz uma mensagem positiva, embora não exatamente definida.

Eu, pessoalmente, recomendo que o filme seja assistido sem muitas expectativas em cima de uma história de homossexuais vencendo obstáculos. Se Nic fosse vivido por um homem, a diferença não seria tão grande para o roteiro. É nesse tratamento dado à história pela diretora Lisa Cholodenko (ela também homossexual), na verdade, que reside o poder da produção.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Black Swan (2010)

O balé é uma forma de arte pouco difundida hoje em dia, principalmente no Brasil. Eu não conheço ninguém que já tenha ido assistir a um espetáculo de balé ou que tivesse interesse em ir. O mais novo filme de Darren Aronofsky, Black Swan, mostra o que estamos perdendo. A leveza de movimentos, a rapidez, a beleza plástica da dança. Só que o filme se preocupa muito mais com um outro aspecto pouco conhecido dessa arte. O lado negro do balé e da humanidade, que mostra ser muito mais instigante que qualquer outra coisa.

Nina (Natalie Portman) é uma bailarina que é escolhida pela primeira vez para viver a personagem mais importante em uma releitura do balé O Lago dos Cisnes. O problema é que sua aparente pureza e inocência são excelentes para interpretar o cisne branco, mas pouco ajudam na hora de encarnar o cisne negro do título. Em sua luta para alcançar a perfeição no espetáculo, ela procura se reconciliar com seu lado sombrio e acaba vivendo a história d'O Lago dos Cisnes na própria pele.

Os eventos do filme são fechados e íntimos, assim como os cenários e a protagonista Nina. Há uma cena em que ela entra pela primeira vez em contato com alguém que não tem nada a ver com balé, um rapaz que conhece na balada. Quando ele declara não gostar de balé e não conhecer O Lago dos Cisnes, Nina e sua companheira ficam indignadas. É compreensível. Isso é pura e simplesmente a vida delas.

Eu segui os distúrbios e problemas de Nina com bastante interesse e até acreditei neles até mais ou menos a metade do filme, quando a produção revela que aquilo que estamos vendo não é necessariamente a realidade, e sim a verdade da protagonista. A isso se seguem belas e fortes cenas de paranoica fantasia, que explodem em um clímax onde Nina alcança a perfeição como o cisne negro (mas a que preço!).

O universo do filme é estritamente feminino. As figuras masculinas (notadamente o instrutor de balé, vivido por Vincent Cassel) são invasoras, eróticas e atraentes, para compensar a palidez e o abatimento de Nina. Uma outra bailarina, Lily (Mila Kunis), também exerce um estranho fascínio sobre ela, o fascínio do proibido, do absurdo.

Nina é sexualmente reprimida não só por sua mãe rigorosa e superprotetora, mas principalmente por si mesma. Portman teve que aprender muitos passos de balé para este papel, mas sua principal contribuição é a profundidade emocional que dá para sua personagem dentro e fora das cenas de dança. O destaque vai para uma cena de masturbação em seu quarto, em que ela se revolve na cama, gemendo e liberando seus instintos sexuais aprisionados não se sabe há quanto tempo. Ela faz isso porque seu instrutor mandou que fizesse, por sua incontrolável submissão e, ao mesmo tempo, pelo seu desejo de ser perfeita.

Por um momento, eu achei que não saber quais os problemas sofridos por Nina seria um empecilho para o filme, mas o final demonstrou que eu estava errado. Apesar da falta de elementos explicativos em algumas partes da narrativa, a produção exala uma incrível atmosfera de completude e deslumbramento.

Este não é um grande filme. É um filme muito bom. A diferença é pequena e reside em ínfimos detalhes. Eu não consigo imaginar, por exemplo, que ele será lembrado daqui a alguns anos. Assisti-lo é uma experiência diferente e às vezes chocante. Mas faltam elementos que fazem d'A Rede Social, por exemplo, um grande filme. É difícil explicar, mas, quando você assiste as duas produções, se torna fácil entender. Black Swan está muito mais próximo de uma obra de arte que qualquer outro filme lançado este ano, mas, ainda assim, não é uma obra perfeita em si mesma.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Origem (2010)

O que dizer de A Origem? Um dos filmes mais controversos do ano, a produção ganhou status de altamente complexa e labiríntica. Na verdade, tem um pouco dos dois, embora sua complexidade seja discutível, já que o diretor Christopher Nolan consegue explicar a maioria dos acontecimentos de forma satisfatória. O problema, portanto, não está no esquema muito bem elaborado que circula em torno da invasão de sonhos, e sim na dificuldade completamente proposital imposta por eventos que acontecem fora da própria lógica do filme. Certo, até  esta crítica está ficando um tanto complicada, por isso vou tentar explicar de forma simples.

Nas primeiras cenas, o filme mostra toda a ação, mas não explica exatamente o que está acontecendo, deixando que a descoberta, pelo menos para nós, aconteça depois. Esse é um dos motivos pelos quais o filme deve ser visto mais de uma vez (só estou me arriscando a escrever esta crítica depois da segunda). Depois, conforme a equipe de Cobb (Leonardo DiCaprio, em uma interpretação muito próxima da que teve em A Ilha do Medo) monta uma estratégia para invadir a mente de um multimilionário, começamos a ter contato com as regras do jogo. Aqui, apesar das óbvias dificuldades da explicação, passamos a ter uma boa ideia de como os invasores de sonhos trabalham. Só que, desta vez, ao invés de roubar projetos e ideias guardados dentro da mente da vítima, a equipe tem que plantar a resolução de abrir mão de um riquíssimo império empresarial. E isso é mais difícil porque: 1) As ideias podem florescer de diversas formas diferentes, 2) A pessoa não pode saber que o pensamento não partiu dela mesma, 3) A ideia fundamental deve ser inserida em um nível profundo dos sonhos, para que fique bem enraizada. Essas dificuldades são contornadas até que facilmente pela equipe, que parece uma espécie de Dream Team (neste caso, literalmente a equipe dos sonhos).

Nolan dá conta da ação através do mecanismo de defesa de Robert Fischer (Cillian Murphy, a vítima da invasão), para o qual seu cérebro foi treinado. Basicamente, um bando de oficiais que atiram muito mal e só aparecem para justificar as cenas de ação e aumentar a sensação de fatalidade de toda a missão.

Só assistindo pela segunda vez percebi o que me incomodou realmente no filme. Apesar da trama parecer bem amarrada, muitas coisas permanecem inexplicadas e, o que é pior, algumas vão contra as explicações dadas no começo. Na realidade, o próprio final dúbio depende dessas controvérsias. A produção provavelmente foi feita já antevendo as dicussões acerca disso tudo.

O que me incomodou é que o filme parte de uma explicação extremamente racionalizada para o funcionamento dos sonhos (como na maioria dos filmes de Nolan, na verdade) e, no final, parece depender muito de abstrações que não existiam nem hipoteticamente. O grande problema com a cena final é que qualquer das duas explicações que o filme parece apresentar (ou ele voltou à realidade ou continua preso em um eterno sonho-final feliz) são igualmente inverossímeis. Ele não pode ter realmente voltado ao mundo real porque, primeiro, eles não conseguiriam acordar quando quisessem, pois isso depende de um forte narcótico, que dura por algumas horas. E outra, Saito (Ken Watanabe, o empresário que os contratou para o serviço) só conseguiria voltar ao mundo real em um estado de total alienação, pois passara o tempo equivalente a muitos e muitos anos no limbo (um tempo quase infinito, como havia sido citado). E quem conseguiria explicar por que Cobb ainda está jovem enquanto Saito está velho e caquético? O empresário só morreu depois que Cobb foi para o limbo.

A teoria de que ele continuava sonhando também tem suas limitações. O limbo é a camada mais profunda do sonho (aqui, claro, utilizando-se da lógica do filme) e Cobb demorou anos para construir todo aquele local imaginário. Como, então, ele teria entrado em um outro sonho?

Creio que a única explicação plausível é que ele tenha imaginado tudo a partir do momento em que é encontrado na praia por um dos seguranças de Saito. Por acaso alguém sabe como ele chegou ali? Acredito que esse fosse um indício de que tudo o que aconteceria dali pra frente seria um sonho. Portanto, a conversa com Saito, seu retorno, o reencontro com os filhos seriam todos uma forma de sua mente lhe providenciar um final feliz. Aquilo se tornou seu limbo, assim como havia sido um paraíso por um tempo para ele e Mal (Marion Cotillard, sua esposa).

Por si só, um filme que nos faz pensar e tecer teorias sobre seu conteúdo já deve ser considerado como um bom filme. A Origem é um ótimo filme porque alia isso a boas interpretações do elenco e a imagens e efeitos visuais fascinantes. O problema é que talvez Nolan tenha se perdido em meio a toda a lógica maluca da produção. Ou não. Talvez só ele tenha o mapa desse labirinto. De qualquer forma, acho que é algo que nunca descobriremos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Oscar e a Hollywood de baixo orçamento

Catalogar coisas entre melhores e piores não costuma ser uma boa ideia em nenhuma área. A trajetória do Oscar é um bom exemplo disso. É só dar uma olhada na lista de filmes que hoje são considerados clássicos obrigatórios, mas que perderam para outras produções, digamos, não tão geniais. O exemplo que logo salta aos olhos é o caso de Cidadão Kane. Hoje presente no topo de quase todas as listas de críticos e aficionados por cinema, no distante ano de 1942 perdeu a estatueta de melhor filme para Como era verde verde meu vale. E não digo que seja um filme ruim (porque realmente não é), mas o tempo se encarregou de comprovar que não era o melhor do ano.

Esse, infelizmente, não é um caso isolado. Se avançarmos algumas décadas no tempo, veremos o vencedor do Oscar de Melhor Filme de 1982, Gente como a gente. Um drama sombrio sobre uma família de subúrbio que desmorona após a morte de um dos filhos. Também um ótimo filme. Mas que méritos possui se o compararmos com o perdedor desse mesmo ano, o aclamado Touro Indomável? Também devemos considerar que um grande filme pode passar despercebido por muitos anos antes que todas as suas qualidades sejam apreciadas. Um caso notável é A felicidade não se compra, que só caiu nas graças do público através de reprises durante a época de Natal, tornando-se um dos grandes clássicos da história do cinema.

Qualquer tipo de categorização que envolva julgamentos pessoais sobre o que é ruim e o que é bom deve ser vista com desconfiança.  No entanto, hoje em dia, o papel do Oscar é muito mais importante e vital do que pode parecer à primeira vista. Em tempos de superproduções e de uma Hollywood dominante e dominada por efeitos especiais, óculos 3-D e uma indústria de entretenimento de massa, a premiação se tornou um dos últimos estandartes de filmes de menor orçamento, com roteiros mais elaborados e menos apelação para os aspectos visuais. O Oscar é o principal incentivo para esse tipo de filme. Não é à toa que Avatar, a produção mais cara de todos os tempos, perdeu a estatueta para Guerra ao Terror (um filme, a meu ver, mediano, mas enfim...), um filme de baixo orçamento lançado direto para DVD no Brasil. Devo dizer que, apesar de não aprovar a escolha, entendo sua motivação.

Se não fosse por esse tipo de incentivo, não consigo imaginar a maioria das pessoas indo ao cinema ou alugando filmes que não fossem do naipe de Transformers ou Avatar. E, nesse caso, seria possível prever a morte desse tipo de produção e, com ela, do cinema como um todo. Um outro fator positivo da premiação é que ela ajudou a criar um novo tipo de filme: a superprodução de qualidade. É o caso, por exemplo, de Batman: O cavaleiro das trevas e A Origem, de Christopher Nolan, já praticamente um expert no gênero. Os filmes com histórias mais elaboradas atingiram até mesmo o terreno da ficção científica, como aconteceu em Distrito 9, de Peter Jackson.

Os Oscar, apesar de todos os seus problemas, acabam acertando na maioria das vezes. Os três filmes que costumam se revezar nos primeiros lugares de listas cinematográficas, Casablanca, O Poderoso Chefão e E o vento levou, ganharam cada um seu prêmio de melhor filme. Por isso, o jeito mesmo é cruzar os dedos e esperar que o júri cumpra seu papel e eleja, se não a melhor produção, pelo menos uma das melhores. O Oscar não pode e não vai morrer, como mais importante premiação do cinema que ele é. Nós estaremos confortavelmente sentados e atentos, com ou sem óculos 3-D. Que cada um faça sua lista de melhores do ano e critique ou elogie o prêmio. Só não se esqueça da pipoca.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Rede Social (2010)

O badalado A Rede Social, de David Fincher, começa com um diálogo entre Mark Zuckerberg (o criador do Facebook) e sua então namorada. É bem possível que a maior parte da conversa soe incompreensível para a grande maioria do público. Mark fala de forma extremamente rápida e salta sem aviso de um assunto para o outro. Mesmo sua namorada não faz ideia do que ele está falando. Entretanto, isso não importa, pois a conversa estabelece três pontos cruciais para a história: a) Zuckerberg é um gênio que gabaritou o teste para entrar na universidade, b) Ele não tem experiência alguma com namoros ou relações pessoais de todos os tipos e se mostra extremamente egocêntrico e c) É muito sensível quanto ao seu status de nerd e tem problemas com mulheres devido a ele. Não me lembro de outra vez em que a chave de um filme estivesse tão flagrantemente em sua primeira cena.


Também é bom lembrar que o filme não lida com o Zuckerberg da vida real. Ele trabalha com um livro sobre o criador do Facebook e, por isso, é praticamente uma adaptação de uma adaptação. O próprio Mark revelou algumas discrepâncias fundamentais para o roteiro, como o fato de ele ter tido uma namorada fixa durante todo o período de construção do site.

O filme é contado de forma rápida e também muitas vezes incompreensível, mas, assim como na primeira cena, nós entendemos aquilo que precisamos entender. Poderia se dizer que é quase tão dinâmico e intuitivo quanto a própria internet. Se logo no começo temos a explicação de praticamente tudo o que está para acontecer, no fim, temos uma síntese de todo o filme em apenas duas frases. Não, Mark não é um babaca. Nós podemos ver seu sofrimento com o isolamento e a incompreensão em relação aos outros. Mas Mark faz de ser um babaca seu principal objetivo na vida. E, de forma ainda mais interessante, ele parece querer provar que é um cara legal sendo cada vez mais babaca.

Ele não quer dinheiro, mas espera conseguir respeito por ser famoso e por ter criado algo em que ninguém jamais havia pensado antes. Apesar das inconsistências de seu caráter, é um personagem com quem é fácil se identificar e seus conflitos internos são extremamente humanos e palpáveis.

A narrativa se divide entre reuniões dos processos movidos contra Mark (por colegas de Harvard que, direta ou indiretamente, o ajudaram a ter a ideia do Facebook e a realizá-la) e suas lembranças dos acontecimentos que o levaram até ali. Apesar de ser um recurso bastante utilizado no cinema, dificilmente acontece com este grau de completude, em que o passado acrescenta tanto para o presente quanto o presente adiciona ao passado.

De forma estranha, a cena mais interessante e autoral do filme não tem nada a ver com a internet (pelo menos não diretamente). Fincher conseguiu transformar uma corrida de remos, algo essencialmente maçante, em um esporte dinâmico e veloz, através de cortes rápidos de cena e (pasmem) música clássica. Nesse momento, mais do que em todo o restante do filme, Fincher demonstra a sua habilidade como diretor.

Seu estilo já havia sido testado em produções anteriores notórias, entre elas Clube da Luta e Se7en. Porém, somente em A Rede Social ele consegue incorporar totalmente sua direção rápida e abrupta com um filme de grande qualidade e, por que não dizer, também altamente dramático.

Conhecido por finais surpreendentes, Fincher aqui consegue surpreender o telespectador com algo que ele muito possivelmente já sabia. Nada de reviravoltas como em Clube da Luta. Todo o filme, assim como a ascensão de Mark, é construído com base em uma ideia principal, que se desenrola pouco a pouco em seu decorrer: Qual a motivação para ele fazer tudo aquilo. Não é por dinheiro, ele também não quer fazer amigos, não quer transar e não quer ser reconhecido como um gênio. Afinal, que diabos ele deseja? É isso que, ao final da produção, todos já têm ideia e a última cena confirma de forma genial.

Trata-se de um filme inteligente, com uma produção impecável, bela fotografia e apoiado em ótimas atuações do jovem elenco. As cenas são conduzidas de forma diversificada e bastante fora do usual. Não peca por favorecer demais uma característica só (como A Origem, um filme esperto demais para seu próprio bem). Enfim, uma produção moderna  em todo o sentido da palavra e digna do Oscar de melhor filme de 2010, o que, se depender da reação dos críticos, tem grandes chances de acontecer.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Os 10 filmes mais assustadores de todos os tempos (2ª Parte)

5- O Chamado (2002)
A fita de vídeo que mata em uma semana quem assiste já entrou para o imaginário popular, assim como a vilã Samara, pálida e de cabelos escorridos, que escapa da TV para assassinar sua vítima pessoalmente. O filme foi um dos primeiros remakes com base em um filme de terror japonês, e que abriu mercado para outras regravações, como O Grito e O Olho do Mal. A base do terror do filme gira em torno do fantasma de Samara, que volta para assassinar todos os que assistirem a um filme feito por ela. Conforme sua história passa a ser contada, percebemos que a menina Samara podia ser ainda muito mais assustadora viva do que morta. A produção conta ainda com um falso final feliz, que acaba sendo revertido para mais mortes macabras e sem sentido, que o fã tanto adora. Sucesso de público quando lançado, o filme teve uma sequência de pior qualidade, que obteve, consequentemente, menos sucesso.

4- O Sexto Sentido (1999)
O cultuado filme de M. Night Shyamalan tem também uma das maiores surpresas encontradas em filmes de terror. Ao mesmo tempo em que nos assustamos com os fantasmas vizualizados pelo excelente Halley Joel Osment, o filme nos prepara para a sua surpresa final, que assusta e espanta muito mais do que meros monstros e mortes macabras. A essência do filme está no proposital déficit de atenção que sofremos ao longo da produção, que torna a revelação final ainda mais surpreendente. Shyamalan parece ter usado toda a sua capacidade de direção neste filme, pois sua produção foi indo de mal a pior com o passar dos anos. Mesmo assim, ele ainda foi capaz de deixar para a posteridade um dos melhores filmes de suspense de todos os tempos e com um dos desfechos mais ultrajantes.

3- Poltergeist (1982)
Poltergeist é um dos melhores filmes de terror de todos os tempos por conseguir causar um terror profundo, mesmo com efeitos especiais rísiveis para o padrão atual. Escrito e produzido por Steven Spielberg e com direção de Tobe Hooper, o filme assusta com a sua narrativa de uma casa dominada por forças malignas, que cada vez dão mais mostras de seu potencial destruidor. Entre os exemplos de cenas absolutamente terríveis, estão a da filha da família sendo engolida pela TV e a de um dos profissionais contratados para espantar os espíritos, quando toda a pele de seu rosto começa a desmanchar, deixando o crânio de fora. Apesar de não possuir um roteiro tão consistente, a direção do filme é capaz de montar uma cena mais horripilante do que a outra. Inclusive, desconfia-se de que havia um dedo de Spielberg também na direção, devido à genialidade do material. Este é um filme para quem tem nervos de aço e é altamente recomendável que não seja assistido a sós.

2- REC (2007)
REC é um filme recente espanhol e que, à primeira vista, pode se parecer com muitos outros. Uma mistura de A Bruxa de Blair com A Madrugada dos Mortos, o filme conta a história de uma equipe de reportagem que fica presa em um prédio, assim como todos os seus moradores, onde se alastra um vírus capaz de transformar as pessoas em zumbis comedores de carne humana. Apesar das visíveis limitações do roteiro, o filme é um susto constante, conforme zumbis pulam em frente à câmera, acompanhando a gravação da equipe, que busca, assim como todos os outros, sobreviver em meio a toda a situação. Mesmo assim, a pior cena da produção é deixada para o final, quando encontramos no sótão a verdadeira raiz por detrás de toda a epidemia: uma desfigurada, cadavérica e horrível menina Maria, que acaba matando toda a equipe. Se você procura pura e simplesmente terror, esta é uma boa pedida. Já se você está em busca de um roteiro mais elaborado, assista a outros filmes da lista.

1- O Exorcista (1973)
O Exorcista pode ser considerado o melhor filme de terror de todos os tempos por diversos motivos. Foi o filme que demonstrou que o gênero do terror é válido e capaz de concorrer a premiações importantes; trata da Igreja Católica, muitas vezes um tabu para filmes do gênero; faz a transformação de uma inocente garotinha em um demônio horroroso e depravado; tem algumas das cenas mais icônicas e imitadas da história do cinema; pode ser visto como uma alegoria para nossa própria incapacidade de lidar com a adolescência de nossos filhos; entre outros. O fato é que, desde sua estreia, O Exorcista foi sempre aclamado como o mais assustador filme de terror de todos os tempos. Desde mortes e acidentes associados à sua produção a relatos de desmaios durantes sua exibição, o filme é permeado de lendas e histórias que asseguram seu primeiro lugar disparado entre os filmes que mais trazem medo ao imaginário popular. De fato, de toda esta lista, em matéria de terror nenhum outro filme é sequer comparável aO Exorcista, grande obra-prima do gênero.

Os 10 filmes mais assustadores de todos os tempos (1ª Parte)

Pesadelos, paisagens infernais, pactos com o demônio. Não só disso vive o gênero de terror no cinema. Aliás, muitos filmes que nem pertencem ao gênero acabam se tornando muito mais assustadores. Por isso, resolvi fazer uma lista dos 10 filmes que mais me aterrorizaram e povoaram meus sonhos à noite, podendo ser de terror ou não.

10- Nosferatu: Uma Sinfonia de Horrores (1922)

Sim, pode parecer estranho um filme da década de 20 figurar entre os mais aterrorizantes de todos os tempos. Mas quem assistiu este precursor dos filmes de vampiros sabe do que eu estou falando. Apesar dos efeitos pra lá de ultrapassados e da narrativa lenta, a caracterização de Max Schreck como o maquiavélico chupador de sangue Nosferatu é uma das melhores e mais icônicas da história do cinema. Claramente baseado no Drácula de Bram Stoker, o filme conta a história de Hutter, que vai ao castelo de conde Orlock para lhe vender uma casa. No entanto, sua estadia começa a ficar desconfortável quando ele descobre marcas de mordida no pescoço e percebe que o conde passa os dias dormindo em um caixão. Uma narrativa clássica, que ajudou a imortalizar o mito do vampiro, o filme traz cenas de um terror arrepiante, como aquelas em que o conde Orlock persegue suas vítimas transformado apenas em uma sombra. Há ainda uma versão do filme atualizada por Werner Herzog, que também vale a pena conferir.

9- O Iluminado (1980)
Esta medonha narrativa, retirada por Stanley Kubrick do livro homônimo de Stephen King, pode não parecer um filme realmente assustador à primeira vista, mas faz um retrato tão psicótico e doentio da loucura que merece figurar na lista de filmes mais assustadores de todos os tempos. Jack Torrance leva a família para passar todo o inverno sozinhos tomando conta de um hotel. O problema é que acontecimentos passados de assassinato e terror permeiam a atmosfera do lugar, mexendo com a cabeça de Jack cada vez mais, até transformá-lo em um maníaco, pronto para matar filho e esposa a golpes de machado. Apesar do assunto macabro, o filme consegue mesclar cenas agradáveis a imagens de puro terror, como a das duas crianças assassinadas em meio a um rio de sangue. Kubrick, um diretor capaz de retratar a loucura como nenhum outro, consegue criar uma verdadeira obra de arte, em parceria com o inigualável Jack Nicholson no papel de Torrance. Este é um filme onde o terror não vem de monstros, mas da própria mente de um indivíduo perturbado.

8- Jogos Mortais (2004)
Inicialmente concebido como uma produção independente, o filme logo ganhou fama e se tornou uma das franquias cinematográficas mais doentias e de maior sucesso da década. Jigsaw é um serial killer que mata suas vítimas através de experimentos sádicos, verdadeiros testes de paciência e perseverança. O horror neste filme vem de pessoas condenadas aos piores suplícios imagináveis para testar suas capacidades de sobrevivência e de luta para permanecer vivos. Os primeiros dois filmes da série conseguiram ainda manter um nível aceitável de genialidade e mortes horripilantes, mas tudo começou a degringolar a partir da terceira produção. Agora, trata-se apenas de mais uma série cinematográfica essencialmente sem graça, que já caminha para o sétimo filme. Uma produção que antes se firmava em um bom roteiro é agora apenas sangue e mortes horríveis, que promete ultrapassar Em Busca do Vale Encantado em número de sequências.

7- Halloween (1978)
A trama de Halloween, que hoje pode parecer batida para os apreciadores de filmes de terror, foi na realidade uma das primeiras a trazer um grupo de jovens perseguidos por um serial killer impiedoso. O filme traz grande parte dos clichês que depois seriam explorados em filmes como Pânico e Eu sei o que vocês fizeram no verão passado. O assassino mascarado e aparentemente imortal, a menina ingênua e pura que consegue escapar, um bando de adolescentes sem importância que serão facilmente mortos pelo assassino, etc. Michael Myers é um indivíduo com distúrbios mentais desde criança, época em que mata a irmã a facadas, cena que acompanhamos integralmente pelo ponto de vista de Michael. Muitos anos depois, ele retorna à cidade com o intuito de matar o máximo de pessoas que conseguir. A produção, é claro, traz muitas cenas de morte assustadoras e perseguições de tirar o fôlego.

6- A Bruxa de Blair (1999)
A Bruxa de Blair é um dos filmes que consegue aproveitar com maior eficiência efeitos baratos, barulhos e gritaria para causar medo na mente das pessoas. Gravada de forma no mínimo peculiar, a produção tem o formato de um falso documentário amador, protagonizado por um trio de jovens. O documentário trata de uma lenda local, a bruxa de Blair, e se passa na floresta onde ela supostamente habita. O problema é que os jovens não têm muita experiência e logo se perdem na mata, onde ficam à mercê da malfadada bruxa. Sem que seja mostrado nenhum monstro e nenhuma cena de morte ou violência, o filme é bem sucedido em causar suspense e terror no espectador, à medida que acontecimentos cada vez mais macabros se acercam do trio de jovens. Só um aviso: não assista este filme à noite. As cenas noturnas são muito mais horripilantes e têm grandes chances de causar pesadelos.