segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Rede Social (2010)

O badalado A Rede Social, de David Fincher, começa com um diálogo entre Mark Zuckerberg (o criador do Facebook) e sua então namorada. É bem possível que a maior parte da conversa soe incompreensível para a grande maioria do público. Mark fala de forma extremamente rápida e salta sem aviso de um assunto para o outro. Mesmo sua namorada não faz ideia do que ele está falando. Entretanto, isso não importa, pois a conversa estabelece três pontos cruciais para a história: a) Zuckerberg é um gênio que gabaritou o teste para entrar na universidade, b) Ele não tem experiência alguma com namoros ou relações pessoais de todos os tipos e se mostra extremamente egocêntrico e c) É muito sensível quanto ao seu status de nerd e tem problemas com mulheres devido a ele. Não me lembro de outra vez em que a chave de um filme estivesse tão flagrantemente em sua primeira cena.


Também é bom lembrar que o filme não lida com o Zuckerberg da vida real. Ele trabalha com um livro sobre o criador do Facebook e, por isso, é praticamente uma adaptação de uma adaptação. O próprio Mark revelou algumas discrepâncias fundamentais para o roteiro, como o fato de ele ter tido uma namorada fixa durante todo o período de construção do site.

O filme é contado de forma rápida e também muitas vezes incompreensível, mas, assim como na primeira cena, nós entendemos aquilo que precisamos entender. Poderia se dizer que é quase tão dinâmico e intuitivo quanto a própria internet. Se logo no começo temos a explicação de praticamente tudo o que está para acontecer, no fim, temos uma síntese de todo o filme em apenas duas frases. Não, Mark não é um babaca. Nós podemos ver seu sofrimento com o isolamento e a incompreensão em relação aos outros. Mas Mark faz de ser um babaca seu principal objetivo na vida. E, de forma ainda mais interessante, ele parece querer provar que é um cara legal sendo cada vez mais babaca.

Ele não quer dinheiro, mas espera conseguir respeito por ser famoso e por ter criado algo em que ninguém jamais havia pensado antes. Apesar das inconsistências de seu caráter, é um personagem com quem é fácil se identificar e seus conflitos internos são extremamente humanos e palpáveis.

A narrativa se divide entre reuniões dos processos movidos contra Mark (por colegas de Harvard que, direta ou indiretamente, o ajudaram a ter a ideia do Facebook e a realizá-la) e suas lembranças dos acontecimentos que o levaram até ali. Apesar de ser um recurso bastante utilizado no cinema, dificilmente acontece com este grau de completude, em que o passado acrescenta tanto para o presente quanto o presente adiciona ao passado.

De forma estranha, a cena mais interessante e autoral do filme não tem nada a ver com a internet (pelo menos não diretamente). Fincher conseguiu transformar uma corrida de remos, algo essencialmente maçante, em um esporte dinâmico e veloz, através de cortes rápidos de cena e (pasmem) música clássica. Nesse momento, mais do que em todo o restante do filme, Fincher demonstra a sua habilidade como diretor.

Seu estilo já havia sido testado em produções anteriores notórias, entre elas Clube da Luta e Se7en. Porém, somente em A Rede Social ele consegue incorporar totalmente sua direção rápida e abrupta com um filme de grande qualidade e, por que não dizer, também altamente dramático.

Conhecido por finais surpreendentes, Fincher aqui consegue surpreender o telespectador com algo que ele muito possivelmente já sabia. Nada de reviravoltas como em Clube da Luta. Todo o filme, assim como a ascensão de Mark, é construído com base em uma ideia principal, que se desenrola pouco a pouco em seu decorrer: Qual a motivação para ele fazer tudo aquilo. Não é por dinheiro, ele também não quer fazer amigos, não quer transar e não quer ser reconhecido como um gênio. Afinal, que diabos ele deseja? É isso que, ao final da produção, todos já têm ideia e a última cena confirma de forma genial.

Trata-se de um filme inteligente, com uma produção impecável, bela fotografia e apoiado em ótimas atuações do jovem elenco. As cenas são conduzidas de forma diversificada e bastante fora do usual. Não peca por favorecer demais uma característica só (como A Origem, um filme esperto demais para seu próprio bem). Enfim, uma produção moderna  em todo o sentido da palavra e digna do Oscar de melhor filme de 2010, o que, se depender da reação dos críticos, tem grandes chances de acontecer.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Os 10 filmes mais assustadores de todos os tempos (2ª Parte)

5- O Chamado (2002)
A fita de vídeo que mata em uma semana quem assiste já entrou para o imaginário popular, assim como a vilã Samara, pálida e de cabelos escorridos, que escapa da TV para assassinar sua vítima pessoalmente. O filme foi um dos primeiros remakes com base em um filme de terror japonês, e que abriu mercado para outras regravações, como O Grito e O Olho do Mal. A base do terror do filme gira em torno do fantasma de Samara, que volta para assassinar todos os que assistirem a um filme feito por ela. Conforme sua história passa a ser contada, percebemos que a menina Samara podia ser ainda muito mais assustadora viva do que morta. A produção conta ainda com um falso final feliz, que acaba sendo revertido para mais mortes macabras e sem sentido, que o fã tanto adora. Sucesso de público quando lançado, o filme teve uma sequência de pior qualidade, que obteve, consequentemente, menos sucesso.

4- O Sexto Sentido (1999)
O cultuado filme de M. Night Shyamalan tem também uma das maiores surpresas encontradas em filmes de terror. Ao mesmo tempo em que nos assustamos com os fantasmas vizualizados pelo excelente Halley Joel Osment, o filme nos prepara para a sua surpresa final, que assusta e espanta muito mais do que meros monstros e mortes macabras. A essência do filme está no proposital déficit de atenção que sofremos ao longo da produção, que torna a revelação final ainda mais surpreendente. Shyamalan parece ter usado toda a sua capacidade de direção neste filme, pois sua produção foi indo de mal a pior com o passar dos anos. Mesmo assim, ele ainda foi capaz de deixar para a posteridade um dos melhores filmes de suspense de todos os tempos e com um dos desfechos mais ultrajantes.

3- Poltergeist (1982)
Poltergeist é um dos melhores filmes de terror de todos os tempos por conseguir causar um terror profundo, mesmo com efeitos especiais rísiveis para o padrão atual. Escrito e produzido por Steven Spielberg e com direção de Tobe Hooper, o filme assusta com a sua narrativa de uma casa dominada por forças malignas, que cada vez dão mais mostras de seu potencial destruidor. Entre os exemplos de cenas absolutamente terríveis, estão a da filha da família sendo engolida pela TV e a de um dos profissionais contratados para espantar os espíritos, quando toda a pele de seu rosto começa a desmanchar, deixando o crânio de fora. Apesar de não possuir um roteiro tão consistente, a direção do filme é capaz de montar uma cena mais horripilante do que a outra. Inclusive, desconfia-se de que havia um dedo de Spielberg também na direção, devido à genialidade do material. Este é um filme para quem tem nervos de aço e é altamente recomendável que não seja assistido a sós.

2- REC (2007)
REC é um filme recente espanhol e que, à primeira vista, pode se parecer com muitos outros. Uma mistura de A Bruxa de Blair com A Madrugada dos Mortos, o filme conta a história de uma equipe de reportagem que fica presa em um prédio, assim como todos os seus moradores, onde se alastra um vírus capaz de transformar as pessoas em zumbis comedores de carne humana. Apesar das visíveis limitações do roteiro, o filme é um susto constante, conforme zumbis pulam em frente à câmera, acompanhando a gravação da equipe, que busca, assim como todos os outros, sobreviver em meio a toda a situação. Mesmo assim, a pior cena da produção é deixada para o final, quando encontramos no sótão a verdadeira raiz por detrás de toda a epidemia: uma desfigurada, cadavérica e horrível menina Maria, que acaba matando toda a equipe. Se você procura pura e simplesmente terror, esta é uma boa pedida. Já se você está em busca de um roteiro mais elaborado, assista a outros filmes da lista.

1- O Exorcista (1973)
O Exorcista pode ser considerado o melhor filme de terror de todos os tempos por diversos motivos. Foi o filme que demonstrou que o gênero do terror é válido e capaz de concorrer a premiações importantes; trata da Igreja Católica, muitas vezes um tabu para filmes do gênero; faz a transformação de uma inocente garotinha em um demônio horroroso e depravado; tem algumas das cenas mais icônicas e imitadas da história do cinema; pode ser visto como uma alegoria para nossa própria incapacidade de lidar com a adolescência de nossos filhos; entre outros. O fato é que, desde sua estreia, O Exorcista foi sempre aclamado como o mais assustador filme de terror de todos os tempos. Desde mortes e acidentes associados à sua produção a relatos de desmaios durantes sua exibição, o filme é permeado de lendas e histórias que asseguram seu primeiro lugar disparado entre os filmes que mais trazem medo ao imaginário popular. De fato, de toda esta lista, em matéria de terror nenhum outro filme é sequer comparável aO Exorcista, grande obra-prima do gênero.

Os 10 filmes mais assustadores de todos os tempos (1ª Parte)

Pesadelos, paisagens infernais, pactos com o demônio. Não só disso vive o gênero de terror no cinema. Aliás, muitos filmes que nem pertencem ao gênero acabam se tornando muito mais assustadores. Por isso, resolvi fazer uma lista dos 10 filmes que mais me aterrorizaram e povoaram meus sonhos à noite, podendo ser de terror ou não.

10- Nosferatu: Uma Sinfonia de Horrores (1922)

Sim, pode parecer estranho um filme da década de 20 figurar entre os mais aterrorizantes de todos os tempos. Mas quem assistiu este precursor dos filmes de vampiros sabe do que eu estou falando. Apesar dos efeitos pra lá de ultrapassados e da narrativa lenta, a caracterização de Max Schreck como o maquiavélico chupador de sangue Nosferatu é uma das melhores e mais icônicas da história do cinema. Claramente baseado no Drácula de Bram Stoker, o filme conta a história de Hutter, que vai ao castelo de conde Orlock para lhe vender uma casa. No entanto, sua estadia começa a ficar desconfortável quando ele descobre marcas de mordida no pescoço e percebe que o conde passa os dias dormindo em um caixão. Uma narrativa clássica, que ajudou a imortalizar o mito do vampiro, o filme traz cenas de um terror arrepiante, como aquelas em que o conde Orlock persegue suas vítimas transformado apenas em uma sombra. Há ainda uma versão do filme atualizada por Werner Herzog, que também vale a pena conferir.

9- O Iluminado (1980)
Esta medonha narrativa, retirada por Stanley Kubrick do livro homônimo de Stephen King, pode não parecer um filme realmente assustador à primeira vista, mas faz um retrato tão psicótico e doentio da loucura que merece figurar na lista de filmes mais assustadores de todos os tempos. Jack Torrance leva a família para passar todo o inverno sozinhos tomando conta de um hotel. O problema é que acontecimentos passados de assassinato e terror permeiam a atmosfera do lugar, mexendo com a cabeça de Jack cada vez mais, até transformá-lo em um maníaco, pronto para matar filho e esposa a golpes de machado. Apesar do assunto macabro, o filme consegue mesclar cenas agradáveis a imagens de puro terror, como a das duas crianças assassinadas em meio a um rio de sangue. Kubrick, um diretor capaz de retratar a loucura como nenhum outro, consegue criar uma verdadeira obra de arte, em parceria com o inigualável Jack Nicholson no papel de Torrance. Este é um filme onde o terror não vem de monstros, mas da própria mente de um indivíduo perturbado.

8- Jogos Mortais (2004)
Inicialmente concebido como uma produção independente, o filme logo ganhou fama e se tornou uma das franquias cinematográficas mais doentias e de maior sucesso da década. Jigsaw é um serial killer que mata suas vítimas através de experimentos sádicos, verdadeiros testes de paciência e perseverança. O horror neste filme vem de pessoas condenadas aos piores suplícios imagináveis para testar suas capacidades de sobrevivência e de luta para permanecer vivos. Os primeiros dois filmes da série conseguiram ainda manter um nível aceitável de genialidade e mortes horripilantes, mas tudo começou a degringolar a partir da terceira produção. Agora, trata-se apenas de mais uma série cinematográfica essencialmente sem graça, que já caminha para o sétimo filme. Uma produção que antes se firmava em um bom roteiro é agora apenas sangue e mortes horríveis, que promete ultrapassar Em Busca do Vale Encantado em número de sequências.

7- Halloween (1978)
A trama de Halloween, que hoje pode parecer batida para os apreciadores de filmes de terror, foi na realidade uma das primeiras a trazer um grupo de jovens perseguidos por um serial killer impiedoso. O filme traz grande parte dos clichês que depois seriam explorados em filmes como Pânico e Eu sei o que vocês fizeram no verão passado. O assassino mascarado e aparentemente imortal, a menina ingênua e pura que consegue escapar, um bando de adolescentes sem importância que serão facilmente mortos pelo assassino, etc. Michael Myers é um indivíduo com distúrbios mentais desde criança, época em que mata a irmã a facadas, cena que acompanhamos integralmente pelo ponto de vista de Michael. Muitos anos depois, ele retorna à cidade com o intuito de matar o máximo de pessoas que conseguir. A produção, é claro, traz muitas cenas de morte assustadoras e perseguições de tirar o fôlego.

6- A Bruxa de Blair (1999)
A Bruxa de Blair é um dos filmes que consegue aproveitar com maior eficiência efeitos baratos, barulhos e gritaria para causar medo na mente das pessoas. Gravada de forma no mínimo peculiar, a produção tem o formato de um falso documentário amador, protagonizado por um trio de jovens. O documentário trata de uma lenda local, a bruxa de Blair, e se passa na floresta onde ela supostamente habita. O problema é que os jovens não têm muita experiência e logo se perdem na mata, onde ficam à mercê da malfadada bruxa. Sem que seja mostrado nenhum monstro e nenhuma cena de morte ou violência, o filme é bem sucedido em causar suspense e terror no espectador, à medida que acontecimentos cada vez mais macabros se acercam do trio de jovens. Só um aviso: não assista este filme à noite. As cenas noturnas são muito mais horripilantes e têm grandes chances de causar pesadelos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Os 100 melhores filmes que eu já vi

Todo mundo adora fazer listas. Eu não sou muito diferente. Por isso, resolvi fazer a lista dos 100 melhores filmes que assisti. É claro, a lista é sujeita a mudanças e tudo mais, mas foi o melhor que consegui fazer. Em breve, pretendo fazer uma lista mais detalhada e subdividir os gêneros de filmes.

1- E o Vento Levou (Gone With the Wind) (1939)

2- O Poderoso Chefão (The Godfather) (1972)

3- Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest) (1975)

4- Casablanca (1942)

5- Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard) (1950)

6- Janela Indiscreta (Rear Window) (1954)

7- A Felicidade não se Compra (It’s a Wonderful Life) (1946)

8- Forrest Gump: O Contador de Histórias (Forrest Gump) (1994)

9- O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) (1991)

10- A Lista de Schindler (Schindler’s List) (1993)

11- Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain) (1952)

12- Taxi Driver (1976)

13- Apocalypse Now (1979)

14- Um Corpo Que Cai (Vertigo) (1958)

15- A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington) (1939)

16- Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarves) (1937)

17- Os Bons Companheiros (Goodfellas) (1990)

18- Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) (1971)

19- Tempos Modernos (Modern Times) (1936)

20- Os Infiltrados (The Departed) (2006)

21- O Sexto Sentido (The Sixth Sense) (1999)

22- Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption) (1994)

23- Dr. Fantástico ou Como Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar a Bomba (Dr. Strangelove Or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) (1964)

24- Cidadão Kane (Citizen Kane) (1941)

25- O Mágico de Oz (The Wizard of Oz) (1939)

26- E.T.: O Extraterrestre (E.T.: The Extra-Terrestrial) (1982)

27- Guerra nas Estrelas (Star Wars) (1977)

28- Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso) (1988)

29- O Iluminado (The Shining) (1980)

30- O Grande Ditador (The Great Dictator) (1940)

31- O Poderoso Chefão 2 (The Godfather: Part II) (1974)

32- Psicose (Psycho) (1960)

33- Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment) (1960)

34-As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath) (1940)

35- Nosferatu, uma Sinfonia do Terror (Nosferatu, Eine Symphonie) (1922)

36- Sindicato de Ladrões (On the Waterfront) (1954)

37- O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings) (2001, 2002 and 2003)

38- Doze Homens e uma Sentença (12 Angry Men) (1957)

39- Farrapo Humano (The Lost Weekend) (1945)

40- O Rei Leão (The Lion King) (1994)

41- Amadeus (1984)

42- Na Natureza Selvagem (Into the Wild) (2007)

43- Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy) (1989)

44- Melhor é Impossível (As Good As It Gets) (1997)

45- Beleza Americana (American Beauty) (1999)

46- Como Era Verde Meu Vale (How Green Was My Valley) (1941)

47- Cabaret (1972)

48- Seven: Os Sete Crimes Capitais (Se7en) (1995)

49- O Picolino (Top Hat) (1935)

50- Toy Story (1995)

51- O Exorcista (The Exorcist) (1973)

52- Matar ou Morrer (High Noon) (1952)

53- Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot) (1959)

54- Assim Caminha a Humanidade (Giant) (1956)

55- Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid) (1969)

56- Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde) (1967)

57- O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet) (1957)

58- Metrópolis (Metropolis) (1927)

59- O Sol é Para Todos (To Kill a Mockingbird) (1962)

60- A Malvada (All About Eve) (1950)

61- Amor Sublime Amor (West Side Story) (1961)

62- Dança com Lobos (Dances with Wolves) (1990)

63- Meu Ódio Será Tua Herança (The Wild Bunch) (1969)

64- Todos os Homens do Presidente (All the President’s Men) (1976)

65- Grease: Nos Tempos da Brilhantina (Grease) (1978)

66- Moulin Rouge: Amor em Vermelho (Moulin Rouge!) (2001)

67- Ran (1985)

68- Os Suspeitos (The Usual Suspects) (1995)

69- Entrando numa Fria (Meet the Parents) (2000)

70- O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) (1968)

71- Batman- O Cavaleiro das Trevas (Batman- The Dark Knight) (2008)

72- Golpe de Mestre (The Sting) (1973)

73- Em Busca do Ouro (The Gold Rush) (1925)

74- A Montanha dos Sete Abutres (The Big Carnival) (1951)

75- Festim Diabólico (Rope) (1948)

76- Minha Bela Dama (My Fair Lady) (1964)

77- O Ladrão de Bicicletas (Ladri di Biciclette) (1948)

78- O Rei da Comédia (The King of Comedy) (1983)

79- Desejo e Reparação (Atonement) (2007)

80- Poltergeist (1982)

81- 2001, Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey) (1968)

82- Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder) (1959)

83- A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai) (1957)

84- Alma em Suplício (Mildred Pierce) (1945)

85- Clube da Luta (Fight Club) (1999)

86- Trainspotting (1996)

87- A Vida é Bela (La Vitta è Bella) (1997)

88- Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream) (2000)

89- Scarface (1983)

90- Ensina-me a Viver (Harold and Maude) (1971)

91- Intriga Internacional (North By Northwest) (1959)

92- Perfume de Mulher (Scent of a Woman) (1992)

93- O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day) (1991)

94- O Homem Que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance) (1962)

95- Pinóquio (Pinocchio) (1940)

96- Feitiço do Tempo (Groundhog Day) (1993)

97- Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall) (1977)

98- Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire) (1951)

99- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin D’Amélie Poulain) (2001)

100- Faça a Coisa Certa (Do the Right Thing) (1989)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Como era verde o meu vale (1941) - e era mesmo


John Ford é normalmente conhecido como um grande diretor de faroestes. Apesar disso, receu 4 Oscars de Melhor Direção durante a carreira, nenhum deles para um western. Isso mostra como o gênero era mal visto pelos críticos e jurados da Academia, apesar de possuir um grande apelo popular. Este é um dos filmes pelos quais Ford recebeu um Oscar e, apesar de não ser um de meus preferidos, mostra o talento que o diretor tinha para reconhecer as dificuldades e se identificar com a população menos favorecida. Esse talento foi melhor desenvolvido em As Vinhas da Ira, provavelmente a melhor produção do cineasta.
O filme mostra a infância de Huw Morgan, vista de quando ele tem 60 anos. A vida dele quando jovem parece um pouco feliz demais para nós, mas não achamos tudo perfeito quando lembramos da juventude? As pessoas eram boas, a natureza linda, e até mesmo o trabalho da família em uma mina de carvão lhes rendia um bom dinheiro e uma aconchegante casa para morar. O cenário é claramente montado e se parece mais com um sonho do que com algo real, embora isso se encaixe muito bem nas lembranças de Huw. E é aí que os elementos externos entram, para acabar com a paz e a felicidade de sua família. A diminuição do salário dos trabalhadores da mina acaba causando uma greve e também uma cisão entre o pai de Huw e seus irmãos. Huw e a mãe caem em um lago congelado e o garoto passa um ano na cama, sem poder andar. Sua irmã, Angharad, acaba se casando com o filho do dono da mina, apesar de amar claramente o senhor Gruffyd, o pastor e benfeitor local. Ao final, mortes, intrigas e a divisão familiar acabam tornando o gracioso vale de Huw apenas uma mera lembrança de algo que, segundo ele, viverá para sempre dentro de seu coração.
O filme é um drama no melhor estilo hollywoodiano. É feito para fazer chorar e, no final, consegue atingir seu objetivo. Ele traz uma magia que somente os filmes antigos possuíam: de contar uma bela história, sem medo de parecer piegas ou meloso demais. Tem aquela sensação que só as nossas lembranças da infância nos trazem, de que tudo era belo e maravilhoso, apesar de sermos apenas jovens. A bela produção merecia um Oscar da Academia, embora eu tenha minhas dúvidas de que merecesse desbancar o excepcional Cidadão Kane na competição, a obra-prima de Orson Welles. Enfim, é um belo drama, às vezes sentimental e certinho demais, mas vale a pena ser visto.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Clube da Luta (1999) - Se não estiver preparado, mantenha distância


O filme foi descrito como "um soco na mente" de quem o assiste. Não deixa de ser verdade. Mas é necessário que a pessoa se prepare mentalmente para ver este filme, pois ela pode não se sentir confortável com o que vai assistir. O filme não é basicamente sobre luta, como o título parece sugerir. É mais a história de um cidadão comum (Edward Norton) e desesperado que faz de tudo para se libertar do consumismo e superficialidade que comandam sua vida. E é aí que entra em cena Tyler Durden (Brad Pitt, o "companheiro de uma porção só"), um cara que parece ser o homem certo para virar sua vidinha de cabeça para baixo. Só que talvez ele seja certo demais para o trabalho. Ele queima a casa do companheiro (que, apesar de ser o principal personagem da história, não tem o nome citado) e o leva para viver em uma pocilga miserável, em condições totalmente contrárias às que ele havia experimentado até então. Para se livrar da superficialidade da sociedade, eles criam um Clube da Luta, onde pessoas comuns lutam entre si até não poderem mais. Mas o que ele não sabe é que Tyler parece estar montando seu próprio exército e tem um plano louco de alcances inimagináveis, para mudar os rumos da sociedade.
Com belas atuações de Norton e Pitt, o filme conta com uma reviravolta ultrajante no final, cenas sanguinolentas para embrulhar o estômago e diversas referências ao erotismo e à homossexualidade. Contado de maneira inteligente e única, é uma bela obra cinematográfica, assim como um retrato pessimista da sociedade de consumo. Embora contenha muita violência, ela é mais como uma metáfora para a libertação das amarras que nos cercam e para a verdadeira liberdade do indivíduo. Um contraponto é que o exército de Durden não possui liberdade intelectual alguma e só pensa aquilo que Tyler manda que pensem. Uma cena interessante, que chega a ser de humor negro, é o coro feito a Bob Paulsen, um companheiro morto, quando eles pensam que uma pessoa só possui um nome dentro do grupo após sua morte. É um filme imperdível e quanto mais vezes for assistido, melhor se torna. Com certeza deve figurar entre as melhores produções da década de 90.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Matar ou morrer (1952) *GiantSpoiler

Eu não sou um grande fã de faroestes. Sei que esse é um gênero de filmes que influenciou e maravilhou uma geração, mas, para mim, a maioria tem histórias repetidas e enfadonhas. No entanto, para minha surpresa, Matar ou morrer se mostrou o oposto disso. O filme se passa em tempo real e conta a história de Will Kane (Gary Cooper), um xerife que foi ameaçado de morte por um fora-da-lei que ele ajudou a prender. Enquanto no início do filme todos parecem respeitá-lo e adorá-lo, já que ele ajudou a manter a paz na pequena cidade onde vive, a história muda quando ele começa a pedir ajuda para deter o grupo de Frank Miller, que retorna para o ajuste de contas. Um por um, todos com quem ele esperava contar vão criando desculpas e fugindo da responsabilidade, até que no final ele se vê quase sozinho para enfrentar quatro dos bandidos. Sim, quase porque sua esposa decide apoiá-lo no último minuto em sua cruzada e consegue matar um dos malfeitores.
Grace Kelly está perfeita (e, diga-se de passagem, belíssima) no papel da esposa quacre, indefesa e indecisa de Kane. Na realidade, é difícil culpar os cidadãos da pacata cidade por não quererem arriscar as vidas em uma empreitada tão perigosa. É Kane que é extremamente cabeça dura e intransigente no cumprimento de algo que nem é o seu dever. Mesmo assim, não conseguimos nos impedir de sentir raiva e desapontamento no lugar de Kane, que é abandonado por todos em quem confiava. Por isso, nada mais justo que, após derrotar os inimigos praticamente sozinho, Kane jogue sua estrela de xerife no chão, mostrando seu desprezo por aqueles que ajudou, e saia para sempre da cidade com a esposa, a única que se manteve ao seu lado no final.
O filme tem muitos pontos fortes. Entre eles, uma bela canção, Do not forsake me, Oh my darling, que é a única companheira de Kane em sua solitária jornada. A música é repetida à exaustão, mas é impossível se cansar dela. A atuação de Gary Cooper, premiada com o Oscar, também é impecável e podemos notar o seu desespero crescendo à medida em que sua busca vai se revelando infrutífera. O clima de espera e suspense que reina na produção deixa a todos com os olhos grudados na tela. Depois de Butch Cassidy, este é o melhor faroeste que assisti até o momento. Recomendo a todos que gostam do gênero e procuram por um filme um pouco mais tenso.